Vejam no link abaixo uma reportagem feita pelo jornal El Clarin - jornal de maior circulaçao de Buenos Aires e talvez do país, sobre a Petrobras e as recentes descobertas petrolíferas no Brasil.
Penso que vale a pena ver todo , porque eu tenho a impressao de que a populaçao brasileira nao está bem familiarizada com este nome: 'Pré-Sal'
...
Ou talvez, nao esteja bem informada sobre esta descoberta - até porque nao foi feita a 'devida' apresentaçao para o nosso povo do potencial desta
poderosa prova de que Deus é mesmo brasileiro - como se diz no Brasil!
Leio os jornais brasileiros todos os dias e, claro, li matérias sobre o tema, mas nada tao elaborado como esta no Clarin. Afinal, nao me espantaria
que a maioria do nosso povo ainda nao tenha se dado conta do que isto realmente representa para o Brasil...
A ver... um resumo para instigar o seu clic:
Abaixo, há(SIC) 5 mil metros de profundidade do mar e há(SIC) 150 km da costa do Rio,foi encontrada uma das maiores jazidas de petróleo do mundo - aliás três,com um potencial de 50.000 bilhões de barris de petróleo!
Isto bastaria para colocar o Brasil entre as 10 potências petroleiras do mundo!
O que equivale dizer que é algo que poderá extrair em média 180 mil barris de petróleo e 6 milhoes m3 de gas por dia !
Ou seja, uma energia, que melhor dizendo, é capaz de dar-nos auto-suficiência e de colocar o Brasil entre as maiores potências do mundo.
E tudo isso, já para o próximo ano! Em 2009 já estará em funcionamento a nova plataforma P51.
Contudo, sabemos que nao basta ter petróleo ou produzir os tais zilhoes de barris... Há que saber como administrar e utilizar toda esta riquesa(SIC).
E daí, é que vem, imagino, o pouco interesse do governo de divulgar os detalhes desta descoberta para a populaçao.
E é daí, também, que podemos nos transformar numa Noruega ou numa Nigéria, dois países petroleiros, que cuidam de forma muito diferente da sua populaçao, como foi bem colocado por um professor da UCA Rio (PUC-RJ)...
Ao que eu, complementaria... Ou transformar-se numa Venezuela - com um 'Chaves' no controle das riquezas que pertencem a populaçao e fazendo com elas o que bem entende, ou numa Arábia Saudita, onde alguns poucos usufruem das riquezas do petróleo e o resto da populaçao vive na miséria.
A propósito e em tempo, também é BOM lembrar que nao foi o Lula quem descobriu isso ou o PT que proporcionou esta possibilidade!
Através deste trabalho interessante e bem realizado do 'Clarim TeleVision', nós podemos tomar conhecimento da grandesa e real significado do Pré-Sal.
Curioso, é que mal começou-se a divulgar a descoberta no Brasil, a Argentina já preparou e divulgou no seu país este material - que tem como propósito levantar a questao paradoxal :
Por que o Brasil pôde chegar a este ponto de converter-se em uma potência energética e Argentina, que foi uma pioneira no auto-abastecimento de energia, hoje nao tem sequer uma petroleira própria?
Os três vídeos são muito bons - coisa que ainda não se viu nas nossas TV's, muito menos num jornal.
Sobre a busca por petróleo por aqui, eles perguntam: por que o Brasil pode e a Argentina não?
E sobre o 'show' de jornalismo e informação, a multimídia e vídeos dessa qualidade, feitos em jornais de tv e impressos, eu pergunto: Por que a Argentina pode e o Brasil não?
Bem, aí está! Desfrutem
http://www.clarin.com/diario/
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
'El Clarin' - Pré-Sal - Vale a pena ver todo.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Por baixo da pele
Por baixo da pele
Imagine só: por baixo da pele somos todos iguais. Sei que não estou dizendo nenhuma novidade, mas achei que a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos - um país com um histórico de racismo e segregação racial duríssimo - seria um bom momento para fazer uma reflexão científica sobre a questão das raças e da identidade humana.
Sempre que ando de metrô ou caminho pela rua, olho para as pessoas ao me redor e me impressiono com a variedade infinita de formas do ser humano. Gordos, magros, altos, baixos, brancos, negros, mulatos, loiros, ruivos, morenos ... Todos temos a mesma combinação de partes: uma boca, um nariz, dois olhos e duas orelhas, mas cada um de nós é incrivelmente diferente do outro. E somos todos brasileiros: desde o Pelé até a Gisele Bündchen.
Você pode botar as 6 bilhões de pessoas vivas do planeta lado a lado numa fila e não encontrará duas iguais - talvez muito parecidas, mas jamais idênticas (a não ser que sejam gêmeos idênticos, claro, gerados de um único embrião que se dividiu em dois). Isso deve-se ao embaralhamento de genes que ocorre durante a produção de células germinativas e no desenvolvimento embrionário, como já abordei em uma de minhas colunas anteriores.
Ao mesmo tempo, porém, nossas diferenças são incrivelmente superficiais. Somos todos incrivelmente semelhantes. Basta olhar por baixo da pele e as diferenças desaparecem.
Quem já teve a oportunidade de visitar a exposição Body Worlds sabe mais ou menos do que estou falando (e quem ainda não teve pode ver algumas fotos no site http://www.bodyworlds.com/en.html). Nela, o anatomista alemão Gunther von Hagens exibe corpos reais plastificados em posições cotidianas, como se fossem estátuas, com todos os músculos, órgãos ligamentos e tendões à mostra.
Ali fica óbvio que, por baixo da pele, somos todos iguais. É como se as diferenças desaparecessem num passe de mágica. Ali não há negros nem brancos nem amarelos. Há apenas seres humanos, todos feitos da mesma carne e do mesmo osso. Ali fica óbvio que o racismo é uma idiotice. Somos todos membros da mesma espécie, Homo sapiens. Só muda um pouquinho a embalagem (e ainda bem!... já pensou se todo mundo fosse igual? Seria uma chatice sem tamanho.)
Outra forma de enxergar isso é olhar para uma foto como esta, do artista Nick Veasey, em que se enxerga apenas o esqueleto das pessoas. Alguém aí consegue dizer qual é a raça de cada passageiro? Quem é bonito ou quem é feio?
Por isso a eleição do negro Barack Obama é uma coisa incrível pelo aspecto cultural-social-histórico dos EUA e, ao mesmo tempo, algo que não deveria ter qualquer importância, pelo aspecto genético da cor de sua pele.
Cerca de um ano atrás, o brilhante, porém meio maluco, James Watson - co-descobridor da estrutura molecular do DNA - cometeu uma das maiores gafes da história da ciência ao dizer - sem qualquer fundamentação científica - que os negros eram geneticamente menos inteligentes do que os brancos. Seja lá da onde foi que ele tirou isso, certamente não foi por uma comparação entre George Bush e Barack Obama.
Pense nisso a próxima vez olhar para as pessoas a sua volta।
फोंट: Estadao
Imagine só: por baixo da pele somos todos iguais. Sei que não estou dizendo nenhuma novidade, mas achei que a eleição do primeiro presidente negro dos Estados Unidos - um país com um histórico de racismo e segregação racial duríssimo - seria um bom momento para fazer uma reflexão científica sobre a questão das raças e da identidade humana.
Sempre que ando de metrô ou caminho pela rua, olho para as pessoas ao me redor e me impressiono com a variedade infinita de formas do ser humano. Gordos, magros, altos, baixos, brancos, negros, mulatos, loiros, ruivos, morenos ... Todos temos a mesma combinação de partes: uma boca, um nariz, dois olhos e duas orelhas, mas cada um de nós é incrivelmente diferente do outro. E somos todos brasileiros: desde o Pelé até a Gisele Bündchen.
Você pode botar as 6 bilhões de pessoas vivas do planeta lado a lado numa fila e não encontrará duas iguais - talvez muito parecidas, mas jamais idênticas (a não ser que sejam gêmeos idênticos, claro, gerados de um único embrião que se dividiu em dois). Isso deve-se ao embaralhamento de genes que ocorre durante a produção de células germinativas e no desenvolvimento embrionário, como já abordei em uma de minhas colunas anteriores.
Ao mesmo tempo, porém, nossas diferenças são incrivelmente superficiais. Somos todos incrivelmente semelhantes. Basta olhar por baixo da pele e as diferenças desaparecem.
Quem já teve a oportunidade de visitar a exposição Body Worlds sabe mais ou menos do que estou falando (e quem ainda não teve pode ver algumas fotos no site http://www.bodyworlds.com/en.html). Nela, o anatomista alemão Gunther von Hagens exibe corpos reais plastificados em posições cotidianas, como se fossem estátuas, com todos os músculos, órgãos ligamentos e tendões à mostra.
Ali fica óbvio que, por baixo da pele, somos todos iguais. É como se as diferenças desaparecessem num passe de mágica. Ali não há negros nem brancos nem amarelos. Há apenas seres humanos, todos feitos da mesma carne e do mesmo osso. Ali fica óbvio que o racismo é uma idiotice. Somos todos membros da mesma espécie, Homo sapiens. Só muda um pouquinho a embalagem (e ainda bem!... já pensou se todo mundo fosse igual? Seria uma chatice sem tamanho.)
Outra forma de enxergar isso é olhar para uma foto como esta, do artista Nick Veasey, em que se enxerga apenas o esqueleto das pessoas. Alguém aí consegue dizer qual é a raça de cada passageiro? Quem é bonito ou quem é feio?
Por isso a eleição do negro Barack Obama é uma coisa incrível pelo aspecto cultural-social-histórico dos EUA e, ao mesmo tempo, algo que não deveria ter qualquer importância, pelo aspecto genético da cor de sua pele.
Cerca de um ano atrás, o brilhante, porém meio maluco, James Watson - co-descobridor da estrutura molecular do DNA - cometeu uma das maiores gafes da história da ciência ao dizer - sem qualquer fundamentação científica - que os negros eram geneticamente menos inteligentes do que os brancos. Seja lá da onde foi que ele tirou isso, certamente não foi por uma comparação entre George Bush e Barack Obama.
Pense nisso a próxima vez olhar para as pessoas a sua volta।
फोंट: Estadao
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
quarta-feira, 30 de julho de 2008
quarta-feira, 23 de julho de 2008
quarta-feira, 11 de junho de 2008
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Hailé Selassié I

Hailé Selassié I(Imperador da Etiópia de 1930 a 1974)23-7-1982, Edjerso, província de Harar 26-8-1975, Adis Abeba
Seu verdadeiro nome era Ras (príncipe) Tafari Makonnen. Tutor da imperatriz Zaudito e sucessor ao trono desde 1917, Ras Tafari tomou o poder em 1928 por meio de um golpe de Estado, tornando-se negus (rei). Após a morte, em 1930, da imperatriz Zaudito, foi proclamado imperador com o nome de Hailé Selassié (que significa "o poder da trindade"), ao qual adicionou o título de "Leão de Judá". Antes disso, conseguira a adesão da Etiópia à Liga das Nações (1923), decretara a abolição da escravatura (1924) e introduzira tímidas reformas. Em 1931 redigiu a primeira constituição. Na seqüência da invasão da Etiópia por tropas italianas, em 1935, exilou-se em Londres, regressando a seu país, já libertado pelos britânicos, em 1941. Embora apoiasse os interesses norte-americanos na Etiópia, desempenhou durante muitos anos um papel muito ativo no movimento dos países não alinhados, assim como na formação da Organização de Unidade Africana (OUA), em 1963. Nos anos 60 conseguiu sobreviver a numerosos atentados, até que acabou sendo derrubado e colocado sob prisão domiciliar às ordens do coronel Mengistu Hailé Mariam, devido às derrotas na guerra que movera contra os independentistas da Eritréia (1962) e o crescente afundamento econômico do país. Morreu em circunstâncias que nunca foram esclarecidas.
Seu verdadeiro nome era Ras (príncipe) Tafari Makonnen. Tutor da imperatriz Zaudito e sucessor ao trono desde 1917, Ras Tafari tomou o poder em 1928 por meio de um golpe de Estado, tornando-se negus (rei). Após a morte, em 1930, da imperatriz Zaudito, foi proclamado imperador com o nome de Hailé Selassié (que significa "o poder da trindade"), ao qual adicionou o título de "Leão de Judá". Antes disso, conseguira a adesão da Etiópia à Liga das Nações (1923), decretara a abolição da escravatura (1924) e introduzira tímidas reformas. Em 1931 redigiu a primeira constituição. Na seqüência da invasão da Etiópia por tropas italianas, em 1935, exilou-se em Londres, regressando a seu país, já libertado pelos britânicos, em 1941. Embora apoiasse os interesses norte-americanos na Etiópia, desempenhou durante muitos anos um papel muito ativo no movimento dos países não alinhados, assim como na formação da Organização de Unidade Africana (OUA), em 1963. Nos anos 60 conseguiu sobreviver a numerosos atentados, até que acabou sendo derrubado e colocado sob prisão domiciliar às ordens do coronel Mengistu Hailé Mariam, devido às derrotas na guerra que movera contra os independentistas da Eritréia (1962) e o crescente afundamento econômico do país. Morreu em circunstâncias que nunca foram esclarecidas.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
A nova tentação da eugenia
As afirmações racistas dos cientistas James Watson e Charles Murray deveriam disparar um sinal de alerta. Em sociedades hierarquizadas, é cômodo enxergar na suposta "fraqueza" do oprimido a causa da desigualdade. No Brasil, isso sempre foi o primeiro passo para ampliar a discriminação e exclusão
Alexandre Machado Rosa
O geneticista norte-americano James Watson, considerado pai da biologia molecular e quem desvendou a dupla hélice do DNA, afirmou recentemente, sem bases científicas, o mito racista de que os povos da África são menos inteligentes em comparação aos do hemisfério Norte. Sua declaração foi recebida com duras críticas pela maioria da intelectualidade internacional, o que o obrigou a escrever um artigo de retratação. Entretanto, suas desculpas tiveram caráter apenas formal, pois no mesmo artigo ele afirma: “Eu sempre defendi que nós devemos basear nossa visão do mundo no nosso conhecimento, nos fatos, e não naquilo que gostaríamos que fosse”.
Dias depois, Charles Murray, cientista político norte-americano e autor do livro The Bell Curve (A Curva do Sino, Free Press, 1994), saiu na defesa das idéias de Watson. No seu livro, afirma que testes de QI (quoficiente de inteligência) apontavam que há diferenças entre raças, com brancos saindo-se em média melhor do que negros. Além de ressaltar a precariedade do testes de QI, que tentam quantificar a subjetividade da inteligência, não podemos considerar as teses de Watson e Murray como novas. Esta insistente defesa de diferenças entre a raça humana, tem reaparecido com certa rotina, tanto no debate científico quando na política
Durante a campanha eleitoral deste ano na Suíça, a UDC (União Democrática do Centro, partido da direita nacionalista), utilizou em campanha um cartaz que representa uma ovelha negra sendo expulsa por ovelhas brancas. Transmitiu deliberadamente uma mensagem racista, num país que sempre reivindicou a defesa dos direitos humanos.
No Brasil, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, reavivou velhas feridas históricas, ao declarar que é favorável ao aborto como forma de controle da violência e que as mulheres grávidas das favelas são “fabricas de marginais”. Por lançar declarações polêmicas e se referir às teses do livro Freakonomics, que segue a velha fórmula da antropologia criminal de Cesare Lombroso (1835-1909), Cabral pisou em terreno perigoso e colocou em risco seu histórico democrático. De quebra, fez coro com as declarações e ações racistas pelo mundo.
Da crença nas habilidades "raciais" à tentativa de tornar o Brasil europeu
A tentativa de explicar e classificar as diferenças entre culturas e povos foi uma tendência marcante do cientificismo e do positivismo no século 19. Primo de Charles Darwin e descobridor das impressões digitais humanas, o antropologista Francis Galton (1822 – 1911) cunhou o termo ideologia eugênica, em seu livro intitulado Inquires into human faculty, de 1883. Lecionou na universidade de Londres, realizou muitos estudos em conjunto com seu primo sobre antropologia, QI humano, doenças físicas e mentais possivelmente herdadas.
Como descreve de forma brilhante Nancy Leys Stepan, em The Hour of Eugenics, a ação dos eugenistas na América Latina parte da aplicação e difusão dos conceitos de Galton afirmava que as habilidades naturais dos homens são derivadas por herança. O raciocínio eugênico argumenta que para obter "boas" raças de cachorro ou cavalos basta realizar uma seleção permanente de espécimes que possuem, por exemplo, um peculiar poder para correr. As características serão mantidas por gerações. Portanto, se mulheres de boa raça se casarem com homens de boa raça, poderemos obter boas raças em gerações seqüenciais. (Stepan, 1991)
No Brasil a eugenia teve grande importância no pensamento hegemônico que fundou as bases do Estado moderno no final do século 19 e durante a primeira metade do século 20. Em certa medida, o movimento higienista e sanitarista, que teve Osvaldo Cruz (1872-1917) como um de seus principais defensores, foi incorporado oficialmente ao Estado em 1903. Nomeado pelo presidente Rodrigues Alves para a direção do serviço de saúde pública do Rio de Janeiro, seu pensamento e ordens deram suporte para o surgimento, em 1917, do pensamento eugênico no Brasil, por meio do médico Renato Kehl.
O higienismo de Osvaldo Cruz foi ideologicamente incorporado pela eugenia de Kehl, incorpando e consolidando as teses racistas na superestrutura do Estado brasileiro, reforçando a brutal exclusão econômica promovida contra a população negra, mestiça e indígena em favor de um clareamento do fenótipo brasileiro e a conseqüente aproximação do ideal republicano europeu.
Como se a favela, "criadouro de pobres e de vícios" fosse a causa de nossos males sociais
A visão criminalizante usada por Sérgio Cabral para defender a legalização do aborto como forma de prevenir a criminalidade e a violência, promove uma confusão dentro do debate sobre o próprio aborto, que deve ser tratado no campo da saúde pública e como problema da sociedade brasileira.
Outro personagem brasileiro que acaba fazendo eco numa proporção menor, é o médico Drauzio Varella. No dia 14.04.2007, publicou, na Folha de S.Paulo um artigo intitulado Tal qual avestruzes, no qual resgata uma resolução da World Scientific Academies, de 1993, que afirma: “A humanidade se aproxima de uma crise. Durante o tempo de duração da vida de nossos filhos, nosso objetivo deve ser o de atingir crescimento populacional igual a zero”.
Em um dos artigos, intitulado Os filhos deste solo, ele aponta uma visão determinista, condena a pobreza à não reprodução e evoca conceitos elaborados por Malthus, como a teoria da taxa de reposição - quando afirma que Para manter constante a população de um país, cada casal deveria ter dois filhos. Um para substituir a mãe quando ela morrer, e outro para substituir o pai. É a chamada "taxa de reposição".
O paradigma malthusiano [1] apresentou um bode expiatório - o crescimento ilimitado da população - para explicar a fome, as guerras e os vícios. Varella segue a mesma receita. Usa os gráficos de crescimento populacional brasileiro que apontam uma taxa média de filhos por família de 6,3 em 1950, contra 2,3 em 2000 (IBGE, 2000). Ele questiona a média e os dados dizendo: “No Brasil, há 40 anos, cada família tinha, em média, seis filhos. Hoje, as estatísticas mostram que estamos muito próximos do equilíbrio populacional, com pouco mais de dois filhos por mulher. Mas as estatísticas refletem a média, e as médias podem ser traiçoeiras...”.
Em seu livro Cidade Febril, Sidney Chalhoub resume a visão da elite no auge do higienismo no Brasil "(...)os pobres passaram a representar perigo de contágio no sentido literal mesmo. Os intelectuais médicos grassavam nesta época como miasmas na putrefação, ou como economistas em tempo de inflação: analisavam a “realidade”, faziam seus diagnósticos, prescreviam a cura, e estavam sempre inabalavelmente convencidos de que os hábitos de moradia dos pobres eram nocivos à sociedade, e isto porque as habitações coletivas seriam focos de irradiação de epidemias, além de, naturalmente, terrenos férteis para a propagação de vícios de todos os tipos(...)".
Incorporados à administração estatal, os preconceito perduram até os dias de hoje
Quando se trata de formular políticas públicas de saúde, a favela é onde, supostamente, há um descontrole demográfico, apesar de as estatísticas oficiais negarem. “A Favela Jardim Edith, em São Paulo, é cheia de crianças. Construídas quase na rua, as casas de madeira e papelão ocupam toda a calçada de uma das avenidas mais movimentadas da cidade.” [2]
Inspirados pelos ideais da medicina social, como aponta Michel Foucalt, e o papel da intelecualidade na formação da superestrura do Estado, como sugere Gramsci, os médicos foram incorporados à administração estatal e auxiliaram na legitimação científica e moral das ações. Como intelectuais e detentores dos conhecimentos das ciências naturais, não poderiam ser contestados em plena era da razão e da ciência. O que se seguiu foram ações que modificaram profundamente, além da paisagem urbana, também as relações do Estado com a população da nova sociedade em formação.
No Brasil, as desigualdades sociais e o racismo possuem um ponto de partida semelhante। Isso possibilita uma investigação a partir da construção dos pressupostos eugenistas e higienistas que colocaram os negros e seus descententes em uma escala de inferioridade social. Para conduzir tal processo, o papel do pensamento biologizado difundido pelos intelectuais, principalmente os médicos, é sentido até os dias atuais.
[1] Thomas Malthus trabalhou sob as “leis” da inevitabilidade biológica de uma superpopulação humana e afirma que a economia do século 19 não daria conta de prover os meios necessários para alimentar todos।
[2] Ver em http://drauziovarella.ig.com.br
Fonte: Le Monde Diplomatique
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